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Equipes presas no “modo ansiedade” perdem produtividade

Liderança deve atuar como âncora para reduzir ruídos e resgatar o presente

Atualizado em 12/03/2026 às 13:03, por Vanderlei Abreu.

Gestão de ansiedade nas empresa

Medo de errar e estado de alerta constante criam uma ilusão de produtividade e bloqueiam a inovação

Com mais de 166 mil afastamentos por ansiedade em 2025, o ambiente corporativo lida com um estado de alerta constante que Bianca Aichinger, sócia da Quantum Development, define como “modo ansiedade”. Segundo a especialista, “Quando a ansiedade toma conta, o grupo perde a capacidade de estar presente e passa a projetar cenários negativos para o futuro ou a remoer erros do passado. Essa mudança de estado mental coletivo afeta diretamente a produtividade e a criatividade”.

Essa desconexão do presente cria um ambiente de alta atividade, mas baixo impacto real. Bianca alerta que “Esse estado de alerta constante cria uma ilusão de produtividade, com muita atividade e pouco trabalho significativo, além de decisões ruins e perda de engajamento”. A energia da equipe, que deveria ser estratégica, acaba drenada pela ruminação mental e pelo medo de errar.

Como a liderança pode ancorar o time?

Para reverter esse quadro, o papel do gestor é ser o ponto de estabilidade em meio à incerteza. Bianca afirma que “Líderes eficazes trazem clareza ao caos, funcionando como pontos de ancoragem para suas equipes”. Isso significa filtrar o ruído externo e dar direção clara, permitindo que os colaboradores se sintam seguros para focar na execução das tarefas presentes sem o peso da insegurança psicológica.

A mudança cultural só se sustenta quando a liderança pratica o que prega, evitando comportamentos que alimentam o alerta, como e-mails fora de hora. De acordo com Bianca, “É só quando os líderes respiram antes de começar reuniões e respeitam limites, que a cultura muda”. O líder atua como o modelo mental do grupo, validando que o equilíbrio é a base para a performance de alto nível.

Quais práticas reduzem o alerta constante?

A estratégia de Bianca para implementar mudanças não passa por anúncios grandiosos, mas por ouvir as dores reais da operação. “Em vez de anunciar ‘vamos implementar mindfulness’, faz mais sentido ouvir as dores dos colaboradores: reuniões caóticas, falta de foco, esgotamento. Quando o problema vem primeiro, as práticas parecem soluções naturais”, sugere a especialista.

As intervenções mais eficazes são aquelas integradas ao fluxo, sem quebrar o ritmo da equipe de forma artificial. Bianca propõe: “Trinta segundos de silêncio no início das reuniões, pequenas pausas entre blocos intensos, microrrespiros entre videoconferências. Assim, ninguém estranha”. Essas pequenas pausas ajudam o sistema nervoso do time a desarmar o modo de sobrevivência, abrindo espaço para a colaboração genuína.