O mercado brasileiro vive um ritmo intenso de fusões e aquisições corporativas. No entanto, focar apenas nos aspectos financeiros e operacionais pode comprometer todo o planejamento estratégico do negócio. Uma pesquisa inédita realizada pela Soul HR Consulting ouviu 102 executivos do alto escalão, entre diretores, VPs e presidentes. O levantamento mostrou que 64% das lideranças consideram as empresas despreparadas para lidar com a integração cultural no pós-fusão.
Além disso, 24% dos entrevistados afirmaram que as corporações estão pouco preparadas para integrar equipes. Historicamente, a avaliação de riscos financeiros se sobressói, enquanto o fator humano acaba ficando em segundo plano. “Com isso, a questão cultural acaba ficando em segundo plano, embora seja justamente um dos fatores mais determinantes para o sucesso da integração dos negócios”, afirma Lucia Costa, sócia da Soul HR Consulting.
Quais são os maiores desafios culturais enfrentados no pós-fusão?
O estudo apontou que a comunicação deficiente e o desalinhamento de valores organizacionais são os maiores riscos no pós-M&A, citados por 55% dos executivos. O choque entre estilos de gestão vem em seguida, com 39,4%. Outros gargalos relevantes incluem a resistência das equipes e as dificuldades de adaptação, com 21,2% das respostas. O mesmo percentual destacou a preocupação direta com a perda de talentos-chave.
Quando o assunto é o clima organizacional, 69,7% dos entrevistados relataram que o sentimento de insegurança prevalece na equipe. Para 42,4%, o ambiente de trabalho se torna visivelmente mais tenso durante a transição.
Quais competências a alta liderança precisa ter em processos de M&A?
Diante desse cenário desafiador, a pesquisa revelou as habilidades humanas mais cobradas no C-Level. A gestão de mudança e o engajamento lideram o ranking de prioridades, apontados por 69,2% dos participantes. A comunicação clara e transparente surge em segundo lugar com 60,6%, seguida pela gestão de conflitos e empatia, indicada por 24,2%. Contudo, o mercado ainda peca no preparo prévio desses gestores.
O levantamento revela que 48,5% das empresas não priorizam o desenvolvimento do time executivo para os processos de M&A. Outros 51,5% relatam que essa preparação acontece apenas de forma pontual. “Não basta reunir talentos de diferentes organizações num mesmo escritório, apresentar uma nova estrutura e acreditar que vai fluir bem”, alerta Lucia.
A executiva reforça que programas estruturados de integração e liderança são cruciais para o sucesso da operação. Para Lucia, “é essencial garantir que o choque cultural não provoque perdas financeiras e desmotivação generalizada”.




