Engajamento em queda: O grande alerta de 2026
IA e escassez de talentos exigem novo modelo de liderança centrada em pessoas
Relatório Global de Tendências de Talentos da Mercer revela que 98% dos executivos preveem mudanças estruturais por causa da IA e alerta para queda drástica no engajamento (imagem gerada por inteligência artificial)
O Relatório Global de Tendências de Talentos de 2026 da Mercer mostra que 98% dos executivos planejam mudanças significativas no desenho organizacional nos próximos dois anos. A pressão por desempenho exponencial esbarra em uma escassez de mão de obra qualificada, citada por 54% dos líderes seniores como o principal desafio. Pat Tomlinson, presidente e CEO da Mercer, adverte para o fato de “o crescimento seguir sendo difícil de alcançar a menos que o trabalho seja intencionalmente redesenhado e que sejam criados modelos operacionais habilitados por IA que aproveitem o talento e a experiência da força de trabalho”.
Os investidores estão atentos a esse movimento: 72% deles afirmam que empresas que integram capacidades humanas e de IA terão vantagem competitiva sólida. Não se trata apenas de cortar custos — embora quase a totalidade dos executivos preveja reduções de pessoal —, mas de requalificar. Estima-se que até 20% da força de trabalho global precise ser realocada ou treinada novamente para operar neste novo ecossistema híbrido entre inteligência artificial e expertise humana.
Por que o engajamento caiu drasticamente em 2025?
Há uma desconexão perigosa entre a alta gestão, o RH e os funcionários. Enquanto 63% dos CEOs focam em automação, apenas 46% do RH prioriza o redesenho do trabalho. Essa falta de sintonia reflete na percepção estratégica da área de Gente: apenas 8% dos executivos seniores consideram o RH uma função estratégica atualmente. O resultado é uma força de trabalho exausta, onde o medo de se tornar obsoleto pela IA saltou de 28% para 40% em apenas dois anos, minando a produtividade e a satisfação.
A satisfação dos colaboradores despencou de 82% em 2024 para 62% em 2026, com um aumento expressivo no número de profissionais considerando trocar de emprego. Os funcionários sentem que os líderes subestimam o impacto psicológico da IA. Para que as organizações prosperem, o RH precisa ser reinventado — possivelmente fundindo-se à Tecnologia da Informação — para criar estratégias digitais que incorporem o bem-estar e a saúde mental como pilares de desempenho.
O que define a liderança vencedora nesta era?
O futuro exige líderes que dominem tanto a estratégia quanto a empatia. Embora 75% das organizações reconheçam a necessidade de se tornarem mais digitais, apenas 30% consideram sua agilidade digital alta. Ilya Bonic, presidente da área de Carreiras da Mercer, destaca que a tecnologia já está disponível, mas o gargalo é a execução humana. “O desafio agora é executar em grande escala. Porque, em um futuro impulsionado pela IA, as organizações que basearem suas transformações em princípios centrados nas pessoas sairão vencedoras”.
Para estancar a perda de talentos, as empresas devem recalibrar a troca de valor com o colaborador, personalizando experiências e recompensando competências. Atualmente, apenas 38% dos profissionais recebem feedback regular sobre como suas habilidades impactam suas carreiras. Em 2026, a fluência em IA será tão importante para um gestor quanto o conhecimento financeiro, mas será a capacidade de inspirar mudanças e acolher a vulnerabilidade das equipes que definirá quem sairá vencedor na era humano-máquina.
Dados Críticos do Relatório Mercer 2026:
| Indicador | Dado (2026) | Comparativo (2024) |
|---|---|---|
| Funcionários realizados no trabalho | 44% | 66% |
| Medo de perder emprego para a IA | 40% | 28% |
| Confiança na preparação para IA | 51% | 65% |
| RH considerado função estratégica | 8% | - |
| Agilidade digital organizacional alta | 30% | - |








