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Automação e inteligência artificial

Avanço da IA exige proteção de capacidades humanas nas empresas

Presidente da IAF Brasil defende uso da inteligência artificial focado em inteligência coletiva, empatia e pensamento crítico

Capacidades humanas na IA
Empresas precisam proteger capacidades humanas no avanço da IA, aponta presidente da IAF Brasil.

A rápida expansão da inteligência artificial nas organizações brasileiras tem concentrado debates em métricas de produtividade, automação e eficiência operacional. No entanto, lideranças de gestão de pessoas alertam que essa visão puramente técnica é insuficiente. A adoção massiva de tecnologias de linguagem exige estratégias intencionais para proteger e ampliar capacidades humanas fundamentais. O debate ganha urgência à medida que algoritmos passam a simular interações e influenciar decisões corporativas diárias.

Para Marcelo Egéa, presidente da IAF Brasil, “a discussão pública tem se concentrado muito em quais tarefas ou profissões podem ser substituídas. Mas existe uma pergunta igualmente importante: quais capacidades humanas podem ser enfraquecidas se começarmos a delegar excessivamente nossas reflexões, decisões e interações para a tecnologia?”.

Por que a adoção da inteligência artificial exige foco no fator humano?

Dados da pesquisa TIC Empresas 2025 indicam que a adoção de IA por companhias no Brasil saltou de 13% para 17% em um ano, alcançando 50% entre as corporações de grande porte. Paralelamente, levantamento da IDC com a Microsoft Brasil revela que 88% dos executivos veem a ferramenta como principal motor de competitividade até 2030. Esse cenário de aceleração exige que a área de Recursos Humanos implemente o conceito de Human-Centered AI (IA centrada no ser humano).

A abordagem propõe utilizar a tecnologia para fortalecer o pensamento crítico, a criatividade, a escuta ativa e a empatia nas equipes. Como a IA interage diretamente por meio da linguagem, ela passa a aconselhar, questionar e moldar relacionamentos de trabalho. “Pela primeira vez, convivemos com uma tecnologia que simula comportamentos humanos. Precisamos compreender como essa interação afeta nosso pensamento, nossas relações e nossa forma de lidar com divergências”, ressalta Egéa.

Como migrar da busca por eficiência para o fortalecimento da inteligência coletiva?

Para transformar a ferramenta em alavanca de desenvolvimento, as empresas precisam mudar as perguntas orientadoras em sua cultura organizacional. Em vez de buscar apenas redução de custos ou respostas rápidas, os gestores devem direcionar os algoritmos para enriquecer o diálogo e a participação coletiva. A tecnologia pode atuar como parceira de reflexão em cenários complexos, sugerindo perspectivas inéditas e identificando preocupações legítimas entre visões opostas.

Nesse ecossistema marcado pela abundância de dados, a facilitação profissional ganha papel central na desenvolvimento de lideranças. O desafio estratégico deixa de ser o acesso à informação e passa a ser a construção de alinhamento e entendimento compartilhado entre pessoas. “As respostas estão se tornando abundantes. Boas perguntas continuam escassas. Dados estão por toda parte. Entendimento compartilhado continua raro. É exatamente nesse espaço que a facilitação atua”, conclui Egéa.

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