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Vittude Summit reúne especialistas e executivos para debates sobre saúde mental

Em sua 7ª edição, o encontro reuniu executivos de empresas como TOTVS, iFood, RD Saúde e Sodexo para discutir estratégias para garantir a conformidade no trabalho

Atualizado em 03/04/2026 às 15:04, por Vanderlei Abreu.

Vittude Summit saúde mental

Tatiana Pimenta, CEO da Vittude, foi a anfitriã do evento

Vittude, referência no desenvolvimento e gestão estratégica de programas de saúde mental para empresas, realizou a 7ª edição do Vittude Summit, maior evento de saúde mental corporativa do Brasil, entre os dias 25 e 26 de março. A ocasião reuniu gestores de saúde corporativa, líderes de RH, médicos do trabalho, engenheiros de segurança do trabalho e especialistas em saúde mental para compartilhar boas práticas e promover trocas estratégicas sobre o tema: ‘Desvendando a regulamentação e estratégias para garantir a conformidade no trabalho’.  

Ao todo, foram 32 horas de conteúdo distribuídas em 26 palestras e 12 painéis, além de momentos dedicados ao networking. A programação contou com a participação de grandes nomes, como Ana Paula Padrão, CEO da Unna; Mariana Ferrão, CEO da Soul.Me; Ana Fontes, fundadora e presidente do RME (Rede Mulher Empreendedora); Raphael Bozza, CHRO da iFood; Caroline Fenelon, Gerente Executiva de Saúde, Bem-Estar e Benefícios da RD Saúde; Silene Rodrigues, Diretora Senior de RH da adidas; Cirlene Zimmermann, procuradora do MTE e mais personalidades do nicho. 

Diante da relevância dos temas abordados, confira alguns insights compartilhados durante o evento

Saúde mental é inegociável?

Na abertura do evento, Tatiana Pimenta, CEO da Vittude, destacou que pelo terceiro ano consecutivo, o número de afastamentos por transtornos mentais cresceu no Brasil. Só em 2025, foram 546 mil afastamentos registrados pelo INSS, um aumento de 15% em relação ao ano anterior, segundo dados da própria instituição. O cenário ganha novos contornos com a entrada em vigor da nova redação da NR-1, que passa a exigir o mapeamento e a gestão dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. “A NR-1 exige das empresas uma abordagem estratégica e preventiva para gestão de riscos psicossociais. Não existe solução mágica para um problema complexo, um único questionário que resolva tudo, ou uma plataforma, isoladamente, que dê conta da prevenção. A maturidade da agenda de saúde mental começa quando a organização aceita que esse tema não será resolvido com superficialidade”, afirma.

Em entrevista exclusiva para o tedRH Cast, Tatiana fez um balanço do primeiro dia do evento: Tatiana Pimenta, CEO da Vittude 

Qual é o aprendizado do Brasil em ações de saúde mental?

A palestra de Gustavo Locatelli reforçou que, apesar das dúvidas sobre a nova regulamentação, o tema não é novo. Há décadas, estudos internacionais analisam os impactos do trabalho na saúde mental. “O que Gustavo mostrou com muita clareza é que o tema dos fatores de risco psicossociais não surgiu agora. Desde os primeiros modelos teóricos desenvolvidos a partir dos anos 70 e 80, até as formulações mais contemporâneas sobre demanda, autonomia, suporte social, esforço, recompensa, engajamento e burnout, existe um corpo robusto de conhecimento já disponível. O Brasil está atrasado, mas não precisa inventar tudo do zero. Pode aprender com a experiência internacional, adaptar modelos já consolidados e evitar atalhos perigosos”, comenta Tatiana. 

Qual o legado da NR-1?

Durante sua palestra, a procuradora Cirlene Zimmermann destacou que a nova redação da NR-1 não cria uma nova responsabilidade, mas reforça um dever já existente: o de proteger a saúde dos trabalhadores. “O dever de proteger a saúde das pessoas no trabalho já existia. O que a nova redação faz é retirar a ambiguidade, tornar o tema mais explícito e reduzir o espaço para omissão. Essa diferença é relevante e ajuda a desmontar a narrativa de que a norma teria inventado um problema novo ou imposto uma exigência descolada da realidade. Os afastamentos, o sofrimento e as denúncias já estavam acontecendo. O que muda agora é que não há mais espaço para ignorar”, explica Tatiana. 

O que fazer em relação à escala de trabalho?

O case apresentado por Caroline Fenelon, da RD Saúde, mostrou que é possível avançar mesmo em operações complexas e com grande número de colaboradores. A empresa estruturou uma jornada que inclui diagnóstico, engajamento da liderança, integração de dados, formação contínua e ações específicas para áreas de maior risco. O aprendizado central: quanto maior a operação, maior a urgência em tratar o tema com profundidade. 

Cultura organizacional é peça-chave na gestão de riscos psicossociais?

No painel com a Alessandra Peixoto, Diretora de Talentos e Desenvolvimento da Sodexo Brasil, a executiva reforçou que o avanço da agenda de mapeamento de riscos psicossociais passa pela construção de confiança, por uma comunicação clara sobre propósito e confidencialidade, pela adaptação das estratégias à realidade de cada operação e pelo preparo das lideranças para promover escuta ativa, empatia e segurança psicológica. A especialista também ressaltou que, mais do que atender a uma exigência regulatória, a gestão dos riscos psicossociais representa a oportunidade concreta de fortalecer uma cultura organizacional mais preventiva, humana e consistente. “Na Sodexo, entendemos que falar sobre saúde mental é, antes de tudo, falar sobre respeito, escuta e responsabilidade coletiva. Esse é um compromisso com a construção de uma cultura em que as pessoas se sintam acolhidas, seguras e valorizadas em sua integralidade, porque acreditamos que ambientes emocionalmente saudáveis são essenciais para o desenvolvimento das pessoas e para a força das companhias”, finaliza Alessandra.

Como estabelecer uma agenda de saúde mental na empresa?

Raphael Bozza, CHRO do iFood, apresentou o case iDoc, implementado há três anos na empresa de delivery e que reúne todas as práticas de assistência à saúde baseadas em governança e dados. “O iDoc permitiu um alto nível de personalização de serviços de saúde como atendimento psicólogico, nutrição, ambulatório interno, assistência médica e outros”. Bozza conversou com o tedRH Cast e detalhou como funciona o iDoc: Raphael Bozza, sócio e CHRO do iFood

Salário não é mais fator decisivo para reter talentos?

Fabiana Galetol, diretora de Pessoas e Responsabilidade Social Corporativa da Pluxee, apresentou o case Salário Emocional, que trata de ações complementares que complementam a remuneração tradicional. Não cuidar do salário emocional e do fator humano custa muito caro para a empresa. Repor um talento que sai pode custar até 60% do salário pago, sem contar o desengajamento e a piora da marca empregadora”. Ela detalhou alguns dos itens que compõem o salário emocional em um bate-papo no tedRH Cast: Fabiana Galetol, diretora de Pessoas e RSC da Pluxee

Como as empresas estão se preparando para a NR-1?

Michel Cabral, CEO da Vixting, em entrevista para o tedRH Cast, comentou que a novidade da NR-1 é a parametrização as formas como as empresas precisam enxergar os riscos psicossociais: Michel Cabral, CEO da Vixting