A discussão sobre o papel da família na rotina profissional ganha cada vez mais força nas estratégias corporativas. A busca pelo equilíbrio entre vida pessoal e carreira estimula a criação de políticas mais acolhedoras. Contudo, homens e mulheres ainda enfrentam realidades bastante desiguais no ambiente corporativo. Um levantamento realizado pela Ticket, marca da Edenred Brasil, ouviu 1.945 trabalhadores em todas as regiões do país.
Os dados mostram que, embora haja avanços no diálogo, a vivência diária de mães e pais diverge em pontos centrais. A parentalidade no mercado de trabalho ainda carrega marcas de gênero bem estruturadas.
Como pais e mães percebem o apoio corporativo às necessidades familiares?
A percepção sobre a flexibilidade oferecida pelas companhias varia conforme o gênero do colaborador. Enquanto 52% dos pais afirmam que a empresa incentiva priorizar urgências dos filhos, o índice cai para 43% entre as mães. Essa diferença de visão também reflete a rotina vivida dentro de casa. Um grupo expressivo de 90% dos homens declara dividir igualmente a rotina familiar e o cuidado dos filhos com a parceira.
Por outro lado, apenas 53% das mães compartilham da mesma percepção de equilíbrio. O resultado escancara que a sobrecarga feminina no cuidado com os filhos permanece como um desafio invisível.
Quais são os impactos da maternidade na trajetória profissional?
As diferenças ficam ainda mais evidentes quando o assunto é o preconceito velado nas carreiras. A grande maioria dos homens, cerca de 89%, afirma nunca ter sofrido qualquer tipo de discriminação por ser pai. Entre as mulheres entrevistadas, o cenário é mais complexo: apenas 68% relatam ter passado imunes a preconceitos. Além disso, o descompasso na divisão dos cuidados aumentou em comparação com o levantamento de 2022.
A percepção feminina sobre o compartilhamento equilibrado caiu de 67% para 53% em quatro anos. O dado alerta para um recuo prático na equidade dentro dos lares brasileiros.
De que forma o RH pode criar ambientes mais acolhedores e inclusivos?
Transformar esse cenário exige das lideranças atitudes práticas e políticas bem estruturadas no dia a dia. A flexibilidade de jornada e a preparação dos gestores são passos cruciais nessa jornada. “A parentalidade está sendo cada vez mais incorporada às discussões sobre qualidade de vida e bem-estar no ambiente corporativo”, explica Tatiana Romero, diretora de Recursos Humanos e Sustentabilidade da Edenred Brasil.
A executiva ainda argumenta que “o desafio das empresas é seguir avançando na construção de ambientes que apoiem igualmente mães e pais”. Na opinião de Tatiana, investir na conscientização interna fortalece a retenção de talentos e reduz as desigualdades históricas. “Relações de trabalho mais inclusivas geram times engajados e com maior bem-estar emocional”, finaliza.




