A saúde menstrual no trabalho ainda é um tema negligenciado nas estratégias corporativas do país, apesar do impacto direto na produtividade diária. O estudo inédito "Menstruação e produtividade laboral: o tabu que impacta os resultados do negócio" foi apresentado pela Essity, em parceria com a Dalia e o Great Place to Work Brasil. A pesquisa ouviu 1.688 pessoas que menstruam e 80 empresas de diferentes portes entre maio e setembro de 2025.
Os dados revelam um cenário preocupante para a gestão de pessoas e para a saúde das profissionais brasileiras. Cerca de 96,7% das entrevistadas relatam perceber queda no desempenho profissional durante o período menstrual devido a cólicas, fadiga e dores. Além disso, 59,2% das mulheres afirmam que já precisaram interromper suas atividades de trabalho por causa desses desconfortos corporais.
Como a falta de políticas para a saúde menstrual afeta a produtividade das empresas?
A análise do levantamento abrange tanto o absenteísmo quanto o presenteísmo, quando o colaborador cumpre o expediente sem atingir sua capacidade ideal de entrega. Cerca de 9 em cada 10 entrevistadas relatam sintomas intensos que afetam diretamente o seu rendimento profissional diário. No entanto, corporações que adotam medidas preventivas de apoio registram uma melhora de 8% na produtividade e maior engajamento dos colaboradores.
Segundo Laura Manzo, diretora do projeto da pesquisa na Dalia, “a menstruação segue fora de muitas conversas sobre produtividade e bem-estar no trabalho, apesar de impactar de forma direta a experiência cotidiana de milhões de mulheres. O que este estudo mostra é que ignorar o tema não elimina seus efeitos: apenas os transfere para o bem-estar e a permanência no mercado. Em um país onde as mulheres representam uma parte fundamental da força de trabalho, avançar em práticas informadas já não é apenas uma conversa sobre saúde, mas também sobre cultura organizacional”.
Qual é o cenário atual das empresas brasileiras em relação à saúde menstrual?
A maioria das corporações do país ainda não reconhece as questões menstruais como pauta de saúde, bem-estar e direitos humanos. Apenas 8% das organizações pesquisadas possuem políticas corporativas ou protocolos formais voltados para o tema. Além disso, 75% das empresas declararam que nunca consideraram essa pauta internamente e 18% acreditam que essas medidas não são necessárias.
Na opinião de Vanessa Reis, diretora executiva do Great Place to Work Brasil, "políticas mais inclusivas e humanizadas são essenciais para reduzir desigualdades e promover ambientes de trabalho mais saudáveis. Organizações que constroem relações de confiança e respeito criam espaços mais acolhedores e seguros, impactando diretamente a saúde menstrual e a experiência das pessoas no trabalho. É papel das empresas assumir essa agenda com consistência e empatia".
Como as organizações podem implementar ações práticas de suporte ao bem-estar menstrual?
Para transformar essa realidade, as trabalhadoras destacam medidas prioritárias como flexibilidade de jornada nos dias críticos e suporte ao trabalho remoto. O acesso a produtos higiênicos nos banheiros, analgésicos, licenças específicas e ajustes na carga diária de trabalho também são apontados como fundamentais. As poucas organizações que adotaram essas práticas relatam ganhos em retenção de talentos e no clima organizacional.
Palmira Camargo, diretora de Comunicação e Assuntos Públicos da Essity América Latina, afirma que “a saúde menstrual não é apenas um tema feminino, mas uma questão que envolve aspectos econômicos, de igualdade, de bem-estar e de saúde pública. Queremos abrir a conversa no Brasil sobre como a menstruação impacta o ambiente de trabalho e incentivar práticas mais responsáveis dentro das organizações. Na Essity, já adotamos iniciativas como produtos nos banheiros, espaços adequados de descanso e flexibilidade na jornada”.
Por que investir em equidade e saúde menstrual gera valor para o negócio?
O estudo demonstra que iniciativas voltadas à saúde menstrual não exigem investimentos financeiros elevados por parte das companhias. Em contrapartida, essas ações trazem retorno direto ao diminuir ausências não planejadas e fortalecer as estratégias de diversidade e inclusão. O acolhimento corporativo reduz o estresse emocional e eleva a satisfação geral das profissionais com a marca empregadora.
A evolução das políticas internas posiciona as organizações como referências em responsabilidade social e empatia no mercado. Promover ambientes livres de tabus e estigmas assegura o bem-estar e o respeito à individualidade de cada trabalhadora. A integração da saúde menstrual nas pautas do setor de recursos humanos consolida um futuro corporativo mais sustentável e humano.




