/apidata/imgcache/c6815b5c82db5d4cfbba55beb5dced63.webp?banner=header&when=1777555531&who=1

Escassez de talentos atinge 80% dos empregadores brasileiros

Levantamento do ManpowerGroup revela que o Brasil supera a média global e enfrenta dificuldades estruturais de contratação

Atualizado em 10/04/2026 às 13:04, por Vanderlei Abreu.

Escassez de talentos no Brasil

Imagem gerada por inteligência artificial

A dificuldade em encontrar profissionais com as competências necessárias atingiu 80% das empresas no Brasil em 2026. O índice coloca o País significativamente acima da média mundial, que hoje registra 72%, evidenciando um descompasso crescente entre a oferta de mão de obra e as exigências das organizações.

Dados da Pesquisa de Escassez de Talentos, realizada pelo ManpowerGroup, revelam que o Brasil figura entre os mercados mais desafiadores do mundo para o recrutamento. Apenas países como Eslováquia, Grécia e Japão apresentam índices superiores, o que reforça a complexidade do ambiente de negócios brasileiro atual.

O indicador demonstra uma estabilidade preocupante, permanecendo no patamar de 80% nos últimos quatro anos consecutivos. Segundo Wilma Dal Col, diretora de RH no ManpowerGroup, o fenômeno deixou de ser uma oscilação momentânea para se tornar uma barreira estrutural que exige revisão profunda das estratégias corporativas.

Quais setores e competências são os mais afetados?

Os setores de Serviços Profissionais, Científicos e Técnicos lideram o ranking de dificuldade com 85%, seguidos de perto pela área de Informação, com 83%. Segmentos como Manufatura, Comércio e Logística também enfrentam gargalos consistentes, operando com um índice de escassez em torno de 79%.

Regionalmente, o estado de São Paulo apresenta o cenário mais crítico do país, com 88% dos empregadores relatando entraves para recrutar talentos. Minas Gerais e Rio de Janeiro também aparecem no topo da lista, confirmando que a pressão por profissionais qualificados é mais intensa nos grandes polos econômicos.

No campo das competências, o letramento em Inteligência Artificial e o desenvolvimento de modelos de IA são as hard skills mais raras no mercado. Já nas soft skills, o profissionalismo e a ética lideram a busca, acompanhados pela comunicação estratégica, fundamental para a colaboração em ambientes tecnológicos.

Como as organizações estão reagindo ao desafio?

Para enfrentar a crise, 44% das empresas brasileiras estão apostando no upskilling e reskilling de seus próprios colaboradores. Essa mudança de mentalidade indica que as organizações começam a entender que a solução mais sustentável para a escassez está na capacitação e no desenvolvimento da equipe interna.

Outras iniciativas de destaque incluem a busca por novos pools de talentos e a oferta de maior flexibilidade de localização e horários para atrair candidatos. Embora ajustes salariais continuem sendo uma ferramenta de competitividade, eles aparecem abaixo das políticas de flexibilização e investimento em educação corporativa.

Wilma Dal Col reforça que a flexibilidade mental e a comunicação tornaram-se competências inegociáveis em meio à transformação digital. Ao diversificar as frentes de busca e investir em modelos de trabalho adaptáveis, as empresas conseguem ampliar o acesso a talentos e se preparar melhor para as constantes evoluções do mercado.