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7 erros ao dar feedback remoto e soluções

Gestores precisam ajustar comunicação para evitar desengajamento e isolamento em times à distância

Atualizado em 28/01/2026 às 10:01, por Vanderlei Abreu.

Feedback no trabalho remoto

O trabalho remoto já é uma realidade para 83% dos empregadores brasileiros. No entanto, a gestão de pessoas à distância trouxe desafios inéditos para as lideranças. Um dos pontos mais sensíveis é a forma como o feedback é entregue aos colaboradores. Segundo dados da Zippia, 65% dos profissionais desejam receber mais retorno sobre o seu desempenho.

Sem o contato visual diário, o impacto de um feedback mal conduzido é amplificado. O isolamento pode transformar uma crítica simples em uma fonte de ansiedade profunda. Quando o retorno é inexistente, o colaborador sente-se substituível e desmotivado. Isso gera uma queda direta na produtividade e no senso de pertencimento à cultura da empresa.

Para Sylvestre Mergulhão, CEO da Impulso, o ciclo de feedback é uma questão de sobrevivência. No remoto, não existe o “cafezinho” para corrigir rotas de forma casual. O líder precisa criar fluxos constantes para que o time não trabalhe no escuro. Manter o vínculo vivo exige intencionalidade e uma conversa que construa confiança real entre as partes. “No trabalho remoto, o colaborador precisa saber o que o trabalho dele muda na empresa. Ele precisa sentir que alguém se importa com seu crescimento. Isso não é discurso, é sobrevivência”, ensina.

Quais são os erros mais comuns dos líderes?

O erro mais recorrente é esperar tempo demais para conversar com o time. Muitos gestores acumulam pendências para reuniões trimestrais, o que gera frustração e retrabalho. O ideal é implementar check-ins semanais rápidos para alinhar expectativas de forma contínua. Pequenos ajustes frequentes evitam que erros operacionais se tornem problemas crônicos e caros.

Outro deslize crítico é realizar feedbacks importantes apenas por mensagens de texto. E-mails e Slack não transmitem nuances emocionais ou tom de voz. Isso abre margem para mal-entendidos e aumenta o estresse de quem recebe a mensagem. Priorizar videochamadas garante uma comunicação mais empática, clara e humanizada, essencial para manter a harmonia.

Focar apenas nos pontos negativos também mina o moral das equipes remotas. Sem as interações casuais do escritório, a crítica ganha um peso desproporcional. A recomendação é aplicar a regra “2:1”: para cada ponto de melhoria, destaque dois pontos fortes. Iniciar a conversa com reconhecimento torna o colaborador mais receptivo às sugestões de evolução.

Como o feedback impacta os resultados do negócio?

Empresas que adotam práticas eficazes de feedback remoto registram números expressivos. De acordo com a McKinsey, o engajamento das equipes cresce cerca de 25% nesses ambientes. Além disso, o índice de turnover cai 30%, retendo talentos valiosos por mais tempo. O aumento de 20% na produtividade individual completa o ciclo de benefícios para a organização.

O feedback estruturado ajuda a manter o colaborador conectado à cultura organizacional, mesmo à distância. Quando a comunicação é direta e respeita o contexto, ela deixa de ser uma avaliação fria. Vira uma ferramenta de desenvolvimento que aponta caminhos claros para o crescimento profissional. Isso cria um ambiente psicologicamente seguro, onde as pessoas se sentem à vontade para inovar.

Dados mostram que 33% dos profissionais remotos sentem-se solitários ou isolados no dia a dia. O ciclo de feedbacks constantes combate essa percepção ao humanizar a relação entre líder e liderado. O reconhecimento do esforço é o que transforma o “trabalho pelo salário” em compromisso real. É o que fortalece os laços em um modelo onde a tela é a única interface. “Quando o feedback é direto e aponta caminhos, vira conversa que constrói confiança. É ali que líder e colaborador ajustam a rota e mantêm o vínculo vivo”, pontua Mergulhão.

Como implementar um fluxo de feedback eficiente?

A transformação começa com o treinamento das lideranças para a comunicação virtual. É preciso ensinar o gestor a ler sinais de desânimo ou queda de performance através das telas. O uso de ferramentas de feedback 360 graus, adaptadas ao remoto, também traz visões complementares importantes. Estabelecer protocolos claros sobre quando e como falar evita ruídos desnecessários.

Mapear fusos horários e respeitar os limites da vida pessoal é fundamental para a recepção da mensagem. O feedback deve ocorrer em momentos adequados, garantindo que o colaborador esteja focado e tranquilo. Métricas baseadas em resultados, e não em horas logadas, trazem mais justiça para as avaliações. O acompanhamento pós-feedback, com marcos de progresso, garante que as ações acordadas saiam do papel.

No futuro do trabalho, as empresas que nutrem relações humanas fortes serão as vencedoras. A distância física não pode se transformar em distância emocional entre os times. O feedback constante é a “cola” que mantém as engrenagens da empresa girando em harmonia. Criar canais de comunicação abertos é investir na saúde organizacional e na retenção dos melhores talentos do mercado.