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53% das empresas admitem contratações erradas em 2025

Estudo da Sólides aponta que o comportamento é o motivo de 61% dos erros de recrutamento no Brasil

Atualizado em 28/01/2026 às 11:01, por Vanderlei Abreu.

Inteligência comportamental no recrutamento

O mercado de trabalho brasileiro iniciou 2026 enfrentando um dos maiores gargalos para o crescimento das empresas: a alta rotatividade. Atualmente, o Brasil ostenta o índice de turnover mais elevado do mundo, o que coloca uma pressão imensa sobre os departamentos de RH. Segundo o levantamento inédito "Panorama da Gestão de Pessoas", realizado pela Sólides, 53% dos líderes admitem ter feito ao menos uma contratação equivocada no último ano.

Esse cenário de incerteza no recrutamento não é apenas um problema de currículo, mas de estratégia. A dificuldade em realizar escolhas assertivas consome recursos financeiros e tempo precioso das lideranças, que precisam recomeçar processos do zero. Para os especialistas, o erro na contratação é o primeiro passo para o desequilíbrio da produtividade interna e para o aumento dos custos operacionais.

Diante desse panorama, a inteligência comportamental surge como a ferramenta essencial para reverter o quadro. As empresas estão percebendo que analisar apenas as competências técnicas (hard skills) não garante o sucesso do profissional na função. O foco agora é entender as habilidades socioemocionais e como elas se conectam com a cultura da organização.

Por que o comportamento causa tantos erros?

A pesquisa da Sólides revela um dado contundente: 61% dos erros de contratação no país estão diretamente ligados a comportamentos inadequados. Em contrapartida, apenas 39% dos casos são atribuídos à falta de conhecimento técnico para a função. Isso significa que a maioria dos profissionais é desligada não pelo que sabe fazer, mas pela forma como se relaciona e se comporta no ambiente de trabalho.

Muitas vezes, o candidato possui um currículo impecável e domina todas as ferramentas necessárias, mas não possui o fit cultural com a equipe. A ausência de competências como inteligência emocional, proatividade e capacidade de trabalho em equipe costuma aparecer apenas após os primeiros meses de experiência. Sem um mapeamento prévio, o RH fica refém da sorte durante o período de adaptação.

Além do prejuízo financeiro, essas contratações erradas geram conflitos internos e podem criar um ambiente tóxico. A desmotivação de uma equipe que precisa lidar com um perfil incompatível afeta o clima organizacional de forma profunda. Por isso, as avaliações que incluem entrevistas focadas em soft skills têm se mostrado muito mais eficazes para garantir a longevidade do talento na casa.

Qual é o retorno financeiro da gestão comportamental?

Investir em inteligência comportamental não é apenas uma escolha humana, mas uma decisão financeira extremamente lucrativa. De acordo com a análise da Sólides, essa estratégia pode apresentar um retorno sobre o investimento (ROI) organizacional de até 1200%. Ao contratar a pessoa certa para o lugar certo, a empresa reduz drasticamente os gastos com rescisões e novos treinamentos.

A aplicação dessas técnicas permite que o RH identifique com precisão as características essenciais para cada cargo vago. Ferramentas de mapeamento comportamental automatizadas aumentam as chances de sucesso, pois comparam o perfil do candidato com o perfil ideal desenhado pela engenharia de cargos. O resultado é uma operação mais enxuta, eficiente e com profissionais muito mais engajados.

Além da produtividade, a redução de custos com o turnover permite que o RH invista em programas de desenvolvimento mais robustos. Quando a base da contratação é sólida, o treinamento deixa de ser um "remendo" e passa a ser um acelerador de performance. A inteligência de dados aplicada ao comportamento humano transforma o setor de Gente e Gestão em um motor de lucro para a companhia.

Como aplicar a estratégia na prática do RH?

Atualmente, 70% dos líderes já dão preferência ao aspecto comportamental em detrimento das habilidades puramente técnicas. Essa mudança de prioridade se reflete em diversas áreas da gestão de pessoas, começando pela engenharia de cargos. Definir o perfil ideal para cada função ajuda a alinhar as expectativas da liderança com o potencial real dos colaboradores.

A inteligência comportamental também atua fortemente na retenção de talentos e na gestão de crises internas. Ao entender o que motiva cada indivíduo, o gestor consegue personalizar as estratégias de engajamento e reconhecimento. Em momentos de mudança ou remanejamento, esses dados apoiam comunicações mais humanas e decisões baseadas em perfis psicológicos, não apenas em planilhas.

No fim das contas, a contratação assertiva é o que sustenta a cultura organizacional a longo prazo. Processos seletivos modernos utilizam a tecnologia para filtrar currículos e, simultaneamente, analisar o comportamento. Empresas que compreendem essa dinâmica constroem times mais resilientes, leais e preparados para enfrentar os desafios de um mercado em constante transformação.