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45% dos profissionais atuam sob insegurança psicológica

Estudo da Vittude aponta que 32% da folha de pagamento é impactada pelo presenteísmo

Atualizado em 09/03/2026 às 11:03, por Vanderlei Abreu.

Censo de Saúde Mental Vittude 2025

O Censo de Saúde Mental 2025, realizado pela Vittude com mais de 174 mil respondentes, revela que 45% dos profissionais brasileiros atuam em ambientes de baixa segurança psicológica. Este indicador é apontado como o fator de maior correlação com a saúde mental e a eficácia das organizações. Ambientes seguros permitem que as pessoas questionem decisões e sinalizem riscos sem medo de retaliação, o que é fundamental para a inovação. Em contrapartida, a ausência dessa segurança está diretamente ligada a quadros de estresse crônico e à asfixia do aprendizado contínuo.

Os dados mostram que organizações com alta segurança psicológica apresentam níveis quase inexistentes de burnout. A capacidade de evolução das equipes depende da liberdade para propor ideias e oferecer feedbacks francos, elementos que desaparecem em culturas baseadas no medo ou na punição ao erro. O estudo, que abrangeu 35 empresas de grande porte em todas as regiões do país, consolida a evidência de que a segurança psicológica não é apenas um conceito subjetivo, mas um ativo estratégico para a resiliência corporativa em 2026.

Para sintetizar os resultados, o levantamento utiliza o Índice Vittude de Saúde Mental (IVSM), que consolidou uma média de 74 pontos em 2025. Este número posiciona o mercado brasileiro na chamada "Zona de Atenção", indicando uma leve deterioração em relação aos 76 pontos registrados no ano anterior. O índice integra métricas como sofrimento psíquico, ergonomia cognitiva e percepção de assédio, oferecendo uma visão holística dos riscos psicossociais que podem comprometer a continuidade dos negócios se não forem geridos com rigor.

Como o assédio e o silêncio impactam a cultura?

O censo aponta que 17% dos colaboradores relataram ter sofrido ou presenciado situações de assédio no trabalho, sendo 72% dos casos referentes a assédio moral e 28% a assédio sexual. Tatiana Pimenta, CEO da Vittude, alerta que estes números são subnotificados devido a uma arraigada "cultura do silêncio". Estima-se que entre 78% e 84% das vítimas optem por não denunciar as ocorrências, o que revela uma falha estrutural na confiança depositada nos canais de ética e na percepção de fragilidade das instâncias de controle interno.

O silêncio corporativo não decorre apenas do medo de retaliação imediata, mas também da descrença na efetividade das punições e da normalização de comportamentos abusivos pela liderança. Essa realidade cria um risco psicossocial profundo, onde a impunidade percebida mina o engajamento e a lealdade organizacional. Para a governança de RH, a existência de canais de denúncia não é suficiente se não houver uma base de segurança psicológica que permita ao profissional se posicionar sem receio de danos à sua trajetória de carreira.

A análise da ergonomia cognitiva, baseada no equilíbrio entre demanda e autonomia, registrou um índice de 0,13. Embora tecnicamente positivo, o resultado indica que ainda há oportunidades cruciais para o fortalecimento do controle dos trabalhadores sobre suas rotinas. A ampliação da autonomia na definição de prioridades e prazos é vista como uma medida preventiva contra a sobrecarga mental. A gestão de demanda deve, portanto, ser tratada como uma política de saúde ocupacional, alinhada aos requisitos de conformidade da NR-1.

Qual o custo financeiro do presenteísmo para as empresas?

Um dos dados mais alarmantes do relatório é o índice de presenteísmo, que atingiu 32%. Na prática, isso significa que as empresas desperdiçam quase um terço de sua folha de pagamento com profissionais que estão fisicamente presentes, mas com capacidade produtiva reduzida devido a sintomas emocionais ou cognitivos. Para cada R$ 100,00 investidos em salários, R$ 32,00 não retornam em valor efetivo para a organização. Trata-se de um impacto silencioso na eficiência operacional que muitas vezes passa despercebido pelos indicadores tradicionais de gestão.

Tatiana reforça que o problema da saúde mental no Brasil é estrutural e não individual. O Censo funciona como um instrumento prevencionista, permitindo que líderes identifiquem pontos críticos e orientem medidas de controle antes que o sofrimento psíquico se converta em afastamentos definitivos ou passivos trabalhistas. A integração desses dados às métricas de impacto no negócio permite que o RH eleve a discussão sobre saúde mental para o nível de prioridade estratégica no C-Level, focando na proteção do lucro e das pessoas.

Em 2026, a saúde mental deve ser gerida com a mesma precisão aplicada à logística ou às finanças. O presenteísmo elevado e a baixa segurança psicológica são sinais de alerta para a sustentabilidade organizacional a longo prazo. As empresas que ignoram esses números enfrentam não apenas uma queda na produtividade, mas uma erosão de sua marca empregadora. O chamado à ação da Vittude é fundamentado em dados: líderes que compreendem o peso financeiro das decisões de gestão tendem a adotar práticas mais humanas e robustas.

Referências e Informações:

Fonte: Censo de Saúde Mental Vittude 2025.

Amostra: 174.475 respondentes / 35 grandes empresas.

Métrica Central: 32% de presenteísmo (impacto financeiro).

Link para o relatório: Acesse o e-book completo.