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Segurança do trabalho

Segurança do trabalho em hospitais: Hospital Alemão Oswaldo Cruz reduz acidentes em 80%

Programa ON SAFETY usa análise de dados e ergonomia para diminuir em 80% as ocorrências ocupacionais em áreas assistenciais críticas

segurança do trabalho em hospitais
Com dados e ergonomia, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz reduz em até 80% as ocorrências ocupacionais em áreas críticas. (imagem gerada por IA)

O ambiente hospitalar figura entre os setores operacionais mais complexos e desafiadores para as equipes corporativas de prevenção. Segundo a Organização Mundial da Saúde, ocorrem anualmente dois milhões de incidentes com materiais perfurocortantes no mundo. Além disso, dados internacionais estimam que 44,5% dos profissionais de saúde sofrem algum tipo de lesão percutânea por ano. Diante desse cenário alarmante, aperfeiçoar a segurança do trabalho em hospitais tornou-se um pilar estratégico indispensável.

Para transformar esse panorama, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz desenvolveu um modelo estruturado com base em inteligência analítica. Criado em 2023, o programa ON SAFETY mapeia detalhadamente os fluxos diários da assistência médica. A metodologia investiga as causas raízes e os momentos exatos em que as situações perigosas surgem na rotina. Com isso, a instituição implementa medidas preventivas assertivas que protegem a integridade de seus colaboradores.

Como o programa ON SAFETY reduziu acidentes em áreas críticas?

A evolução dos indicadores ocorreu de forma consistente e rápida nas unidades assistenciais mais sensíveis da instituição. Logo no primeiro ano de implantação, os registros operacionais apresentaram queda imediata de 60% frente ao histórico anterior. No centro cirúrgico, o amadurecimento dos processos levou a uma redução expressiva de até 80% nas ocorrências registradas. Esse índice positivo manteve-se estável em 2025 e no primeiro quadrimestre de 2026.

Maria Carolina Lourenço Gomes, diretora-executiva de Pessoas, Sustentabilidade e Responsabilidade Social do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, afirma que “o principal diferencial desse trabalho foi sair de uma postura reativa e atuar de forma estruturada”. A executiva ressalta que o hospital “analisou os dados da rotina para implementar ajustes simples com impacto real na segurança”. Dessa forma, a gestão de riscos hospitalar ganha agilidade e respaldo científico contínuo.

A iniciativa substitui relatórios meramente burocráticos por um acompanhamento presencial diário nas alas médicas e cirúrgicas. A rotina inclui rondas semanais, diálogos de segurança in loco e forte estímulo à notificação voluntária pelas próprias equipes. O monitoramento identifica gargalos no descarte de materiais e aprimora os treinamentos de uso de equipamentos de proteção individual. Essa proximidade fortalece a cultura de segurança corporativa em todos os níveis hierárquicos.

De que forma a ergonomia previne o adoecimento físico das equipes?

Paralelamente ao controle de exposições biológicas, a instituição hospitalar intensificou o cuidado postural dos profissionais de saúde. Dados da Previdência Social registraram 4,1 milhões de afastamentos temporários por incapacidade funcional no Brasil em 2025. Desse montante nacional, as disfunções osteomusculares e as dores na coluna vertebral lideraram as principais causas clínicas. Esse dado reforça a urgência de planos corporativos voltados para a ergonomia no trabalho.

Entre maio de 2025 e abril de 2026, o hospital avaliou e adequou 241 postos operacionais em suas unidades. As intervenções variaram desde pequenos ajustes em mobiliários até reformas arquitetônicas estruturadas para o bem-estar físico. Além disso, treinamentos práticos com fisioterapeutas do trabalho resultaram em uma queda de 94% nas notificações de sobrecarga mecânica. O acompanhamento contínuo minimiza queixas crônicas e favorece diretamente o clima organizacional.

A atuação da ergonomista integra a concepção inicial de novos setores em parceria com os departamentos de engenharia e obras. Esse cuidado prévio adapta fluxos de movimentação e protege funcionários que atendem pacientes com dificuldades graves de locomoção. Além de respaldar a saúde física, a ação valoriza os colaboradores com limitações funcionais previamente diagnosticadas. A gestão de pessoas humanizada reafirma que proteger quem cuida é o caminho para a excelência hospitalar.

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