SP: conciliação trabalhista segue a média nacional
Com índice de 20,58%, estado se aproxima dos 20,81% registrados em todo o País
Imagem gerada por inteligência artificial
Os novos dados consolidados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) trazem um panorama mais equilibrado para o estado de São Paulo no setor trabalhista. Ao todo, foram realizadas 108.227 audiências conciliatórias nos tribunais paulistas (TRT2 e TRT15). Esse volume expressivo de tentativas de acordo resultou em um índice de conciliação de 20,58%, mostrando uma movimentação ainda tímida das partes em busca de soluções consensuais.
Com esse desempenho, São Paulo demonstra estar alinhado à tendência observada em todo o território brasileiro. A média nacional de conciliação encerrou o período em 20,81%, o que coloca o estado em uma posição de proximidade com o padrão do País. Os números indicam que, apesar do alto volume de processos, a cultura do acordo ainda está longe de encontrar espaço nas mesas de negociação paulistas.
Para Lucas Pena, CEO da Pact Insights, legaltech especializada em passivos trabalhistas, o dado reforça que existe uma estrutura funcional para o diálogo. O desafio agora é transformar essa proximidade com a média nacional em uma liderança de eficiência. Mesmo com índices estáveis, o potencial de economia para as empresas e de agilidade para os trabalhadores continua sendo um motor para a modernização do Judiciário.
O que os especialistas dizem sobre os números?
Para o executivo da Pact Insights, o fato de São Paulo estar acompanhando a média nacional é um sinal positivo de maturidade das relações de trabalho. No entanto, ele ressalta que ainda há espaço para que parâmetros mais objetivos facilitem a convergência de expectativas entre as partes. A tecnologia e a análise preditiva de dados são aliadas fundamentais para que o índice de 20,58% continue em trajetória de crescimento.
Pena destaca que o esforço da Justiça do Trabalho e dos CEJUSCs tem sido fundamental para manter esses números estáveis. A criação de ambientes propícios para a negociação ajuda a reduzir o tempo de espera por uma sentença definitiva. Para ele, a conciliação não deve ser vista apenas como um indicador estatístico, mas como uma ferramenta de governança corporativa que reduz incertezas. “O que vemos é um cenário onde a predisposição para o acordo já faz parte da realidade das empresas. O próximo passo é utilizar dados e estratégia para tornar essas negociações ainda mais assertivas e rápidas”, afirma. Ele acredita que a vontade política e empresarial de mudar o foco do litígio para a solução é o que garantirá índices ainda melhores nos próximos levantamentos oficiais.
Como o estado se posiciona na região Sudeste?
Na comparação regional, os dados mostram uma disputa equilibrada entre os principais tribunais do Sudeste. Minas Gerais (TRT3) lidera o ranking com 20,82%, seguida de perto por São Paulo e pelo Rio de Janeiro (TRT1), que registrou 18,91%. O Espírito Santo (TRT17) fecha a lista da região com um índice de 15,95%, evidenciando que os grandes centros estão mais propensos à conciliação.
A estabilidade do índice paulista em relação à média nacional sugere que as práticas de mediação estão se consolidando de forma sistêmica. Para as lideranças de RH, esse cenário oferece uma base mais previsível para a gestão de conflitos internos. Manter-se atento aos dados do CNJ permite que as empresas calibrem suas estratégias de acordo com a realidade do tribunal onde seus processos tramitam.
Qual o futuro dos acordos trabalhistas?
O cenário para o restante de 2026 aponta para uma justiça cada vez mais digital e orientada por boas práticas de ESG. As empresas que priorizam a conciliação demonstram um compromisso maior com a sustentabilidade das relações humanas e com a eficiência financeira. Trocar o custo do litígio prolongado pela segurança de um acordo justo é uma decisão estratégica que ganha força no mercado.
A proposta de especialistas como Lucas Pena é que as organizações utilizem a tecnologia para mapear riscos e antecipar oportunidades de negociação. Ao transformar passivos em dados estruturados, o RH ganha voz ativa para propor soluções que evitem a judicialização excessiva. O objetivo final é criar um ecossistema de trabalho menos traumático, onde o diálogo prevaleça sobre a disputa jurídica. “Estamos propondo uma mudança de mentalidade onde o dado substitui a incerteza”, conclui o CEO da Pact Insights. Com São Paulo operando próximo à média nacional, o caminho está aberto para que novas ferramentas e estratégias elevem o patamar da justiça consensual no Brasil. O futuro do Direito do Trabalho passa, obrigatoriamente, pela capacidade de gerar entendimento e paz social através de decisões negociadas.








