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Pesquisa revela equilíbrio de CEOs e gargalo na sucessão

Estudo da EXEC e GPTW mostra lideranças saudáveis, mas alerta para falhas graves na formação de futuros sucessores

equilíbrio da alta liderança
CEOs brasileiros têm mais qualidade de vida, porém sucessão e IA continuam sendo gargalos críticos.

O cenário da alta liderança no Brasil vem passando por uma transformação significativa em sua rotina diária. Historicamente associada a jornadas exaustivas e estresse crônico, a gestão executiva agora prioriza parâmetros consistentes de sustentabilidade pessoal e bem-estar. Essa busca redefine a relação entre dedicação profissional e qualidade de vida no topo das organizações.

O relatório inédito CEOs do Brasil, conduzido pela EXEC e GPTW, confirma essa inflexão cultural no ambiente de negócios. Segundo o levantamento, 60,3% dos líderes atribuem nota alta para o equilíbrio da alta liderança entre trabalho e vida pessoal. Apenas uma parcela residual de 7,9% avaliou negativamente a sua rotina atual.

Além do equilíbrio percebido, 87,1% dos respondentes afirmam praticar exercícios físicos de maneira regular. “Houve muito empenho para que se alcançasse esse patamar, que ainda pode ser aprimorado”, pontua Tatiane Tiemi, CEO do Great Place to Work Brasil. A executiva ressalta que esses hábitos saudáveis servem de modelo inspirador para a nova geração de gestores.

Pesquisa revela equilíbrio de CEOs e gargalo na sucessão

Como a dificuldade de desconexão impacta a rotina dos executivos?

Apesar da percepção positiva sobre a rotina diária, a desconexão mental do trabalho ainda representa um desafio expressivo. Mais da metade dos líderes consultados admite que não consegue se desligar das operações durante as férias anuais. Esse comportamento evidencia que o distanciamento físico nem sempre garante o repouso cognitivo necessário para a tomada de decisões.

O levantamento também aponta assimetrias relevantes quando os dados de descanso são analisados pelo recorte de gênero. Entre as mulheres, 60,9% continuam trabalhando durante o recesso, enquanto esse índice cai para 51,5% entre os homens. A sobrecarga e a pressão estrutural exigem maior disponibilidade das líderes femininas no comando dos negócios.

Essa disparidade ocorre em um cenário no qual as mulheres apresentam índices superiores de escolaridade formal. De acordo com a pesquisa, 73,9% das executivas têm pós-graduação ou MBA, contra 60,8% dos líderes masculinos. O dado reforça que o acesso ao topo corporativo ainda impõe exigências mais severas para as profissionais mulheres.

Por que o vácuo de sucessão representa o maior risco para as empresas?

O aspecto mais preocupante identificado pelo estudo reside na ausência quase generalizada de planos formais para substituição de lideranças. Apenas 16,1% das empresas contam hoje com um profissional devidamente preparado para assumir a presidência. Paralelamente, expressivos 41% dos CEOs atuais não sabem quem ocupará a sua cadeira após a saída do cargo.

Para Rodrigo Forte, sócio da EXEC, “a competência que forma sucessores é justamente a mais deficiente no País”. O executivo enfatiza que a carência de um planejamento sucessório estruturado aumenta consideravelmente os riscos organizacionais no longo prazo. Essa vulnerabilidade ganha contornos críticos no Brasil, onde predomina a estrutura de companhias familiares de capital fechado.

A lacuna formativa se estende também à absorção corporativa de novas ferramentas digitais e inteligência artificial. Cerca de 30% dos participantes apontam carência de gestores preparados para conduzir aplicações tecnológicas de forma eficiente. Segundo Rodrigo Forte, da EXEC, o sucesso de projetos de IA depende diretamente da capacitação humana das lideranças.

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