Segunda-feira, 5 de outubro de 2026 MPJ | Mais Pelo Jornalismo
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Liderança

Liderança define retenção de talentos em todas as gerações

Estudo com 880 profissionais e 37 CHROs mostra que relação com gestor supera mitos e sustenta permanência corporativa

gerações no ambiente de trabalho
Pesquisa da Cornerstone revela que uma liderança empática e de qualidade é o fator decisivo para manter os talentos na empresa. (imagem gerada por IA)

Compreender as motivações reais dos colaboradores tornou-se um desafio central para as estratégias contemporâneas de Recursos Humanos no Brasil. A Pesquisa Panorama Nacional 2026, realizada pela Cornerstone Career Services, Crescimentum e Insper, investigou 880 profissionais e 37 líderes de Pessoas. O estudo revelou que os atributos responsáveis por atrair talentos para a organização não coincidem necessariamente com os motivos que sustentam sua permanência. Essa constatação demonstra que recrutamento, satisfação cotidiana e engajamento no longo prazo obedecem a dinâmicas corporativas consideravelmente distintas. Assim, consolidar uma proposta de valor atrativa exige coerência contínua entre a promessa inicial da seleção e a experiência prática no trabalho.

A pesquisa constatou um ponto de convergência absoluto entre todas as faixas etárias ativas no mercado corporativo. Entre 29 aspectos avaliados na escolha de um emprego, manter um relacionamento saudável com a chefia imediata figurou entre as três principais prioridades. Essa preferência liderou as escolhas entre Baby Boomers e profissionais da Geração X, alcançando também o topo das preferências entre Millennials e Geração Z. “Não se trata de quatro mundos diferentes, mas de pesos distintos que cada grupo atribui à experiência”, destaca Fernando De Vincenzo, da Cornerstone. Dessa forma, a gestão de pessoas precisa priorizar a liderança humanizada como eixo fundamental de conexão interpessoal na rotina diária.

Como agem as diferentes gerações?

O relatório desmontou diversos estereótipos consolidados sobre o comportamento das diferentes faixas etárias nos escritórios brasileiros. Embora valorizem a flexibilidade e os modelos híbridos, os jovens da Geração Z colocam o desenvolvimento profissional e as promoções à frente do trabalho remoto. Para essa geração emergente, a empresa atual é encarada estrategicamente como um trampolim para o fortalecimento da empregabilidade futura. Em contrapartida, os profissionais Baby Boomers demonstraram apreço superior por ambientes corporativos inovadores e desafiadores do que os colegas mais jovens. Profissionais maduros também registraram forte interesse em transmitir seus conhecimentos acumulados, desafiando a ideia equivocada de resistência cultural às transformações.

A pesquisa identificou ainda uma redução gradual no sentimento de orgulho pelo trabalho conforme a idade dos colaboradores diminui. Os colaboradores mais jovens manifestam posturas mais críticas em relação aos pacotes de benefícios e à lentidão nas revisões salariais periódicas. Muitos talentos em início de carreira sentem que seu esforço diário não é correspondido pelas oportunidades de crescimento na estrutura hierárquica. Apesar dessas ressalvas quanto à remuneração, o convívio com os líderes diretos recebe avaliações amplamente positivas em todos os níveis. Essa postura reflete uma geração disposta a colaborar intensamente, desde que perceba clareza de retorno para seu investimento pessoal e profissional.

Por que líderes precisam trabalhar na retenção de talentos?

A qualidade da relação entre líder e liderado surge como o elemento mais determinante para conter a evasão voluntária de talentos. Os cálculos estatísticos comprovaram que cada ponto a mais na avaliação da liderança reduz expressivamente a intenção declarada de desligamento. O sentido percebido no trabalho e o reconhecimento autêntico também funcionam como fortes amortecedores contra a insatisfação nas organizações. “É no contato diário com a gestão que expectativas sobre autonomia e clareza ganham forma”, pontua Veronica Ahrens, sócia da Crescimentum. Portanto, investir no desenvolvimento contínuo dos gestores imediatos representa uma blindagem direta contra perdas de capital intelectual estratégico.

A escuta realizada com 37 CHROs corroborou que os dilemas da retenção ultrapassam divisões geracionais simplistas no cenário corporativo. O tema da liderança inclusiva figurou em 35 das 37 conversas aprofundadas com os principais executivos de Recursos Humanos do país. Os diretores relatam que a formação de carreiras não lineares exige escuta ativa, flexibilidade operacional e zelo genuíno pela saúde mental. Tratar colaboradores com empatia e construir ambientes psicologicamente seguros sustenta o engajamento duradouro de profissionais de qualquer faixa etária. Fortalecer a capacidade formativa das lideranças consolida-se, enfim, como a decisão corporativa mais segura para garantir a perenidade dos negócios.

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