Gestão ativa combate alta sinistralidade em planos
Uso de tecnologia e auditoria pode reduzir custos médicos em até 26%
A sinistralidade — relação entre o valor pago às operadoras e o custo efetivo dos serviços médicos — consolidou-se como um dos maiores gargalos financeiros para o RH em 2026. Dados de uma pesquisa realizada por SESI, FIESP e o Observatório Nacional da Indústria revelam que 41% das indústrias ainda não adotam estratégias estruturadas para reduzir esse índice. Entre as que agem, 72% limitam-se ao uso da coparticipação para tentar mitigar os custos.
Katia de Boer, CEO da Safe Care Benefícios, avalia que o modelo de gestão puramente reativo está esgotado no ambiente corporativo atual. Segundo a executiva, “enquanto muitas organizações tratam os custos com saúde como inevitáveis, outras já entenderam que o combate à sinistralidade passa pela gestão ativa, análise de dados e medicina preventiva”. O cenário de reajustes constantes exige que as empresas saiam da posição de pagadoras para a de gestoras do benefício.
A falta de estratégias personalizadas faz com que 67% das empresas apontem o alto custo como a principal barreira para implementar melhorias no setor. Sem uma análise técnica profunda, o RH acaba refém de reajustes impostos por sinistros que poderiam ter sido evitados ou melhor auditados. O desafio reside em equilibrar a assistência de qualidade aos colaboradores com a saúde financeira do contrato.
Como a tecnologia reduz os custos médicos?
A aplicação de inteligência de dados permite transformar informações dispersas em indicadores gerenciais e preditivos. Plataformas integradas agora coletam dados de operadoras, clínicas e prestadores para identificar inconsistências, duplicidades e desperdícios em tempo real. Essa auditoria técnica detalhada permite que a empresa identifique padrões de uso e atue em oportunidades de melhoria antes do fechamento do período de reajuste.
Katia revela que a adoção dessas ferramentas já demonstra resultados significativos na saúde financeira das organizações. De acordo com a especialista, “coletamos dados de diversas fontes e aplicamos uma auditoria técnica detalhada. Já conseguimos reduzir em até 26% os custos médicos de empresas com alto índice de sinistralidade”. Essa redução é fruto da correção de falhas operacionais e do direcionamento correto do cuidado médico.
Para que a tecnologia seja eficaz, ela precisa atuar de forma personalizada, respeitando o perfil epidemiológico de cada grupo de colaboradores. Ao antecipar o diagnóstico de doenças crônicas ou identificar o uso indevido do sistema, a empresa evita o agravamento de casos e o consequente aumento exponencial de custos. A transição para uma gestão baseada em evidências é o que diferencia as empresas que controlam seus orçamentos de saúde.
Qual o impacto na sustentabilidade do negócio?
A gestão eficiente da saúde corporativa vai além da economia direta, impactando indicadores de produtividade como absenteísmo e presenteísmo. Programas de saúde preventiva, suporte 24h e monitoramento remoto garantem que o colaborador receba o tratamento adequado de forma ágil. Quando o acesso à saúde é facilitado e direcionado, a recorrência de faltas diminui e a performance organizacional tende a subir.
A sustentabilidade do plano de saúde a longo prazo depende da capacidade da empresa em fazer escolhas inteligentes baseadas em prevenção. Katia reforça que a gestão ativa não deve ser confundida com a redução da qualidade do atendimento prestado. “Reduzir a sinistralidade não significa cortar serviços, mas fazer escolhas mais inteligentes, baseadas em dados, processos e prevenção. Essa é a chave para garantir a sustentabilidade”, conclui a CEO.
Em 2026, tratar a saúde como um ativo estratégico é a única forma de manter o benefício viável para a força de trabalho. O RH assume, então, um papel de liderança na governança de dados de saúde, utilizando a auditoria para proteger os recursos da companhia. A meta final é garantir uma assistência médica eficiente que suporte o crescimento sustentável da organização.








