O avanço das tecnologias digitais redefiniu a dinâmica da educação corporativa e ampliou a eficiência dos programas de capacitação nas organizações brasileiras. Uma pesquisa conduzida pela Twygo com mais de 270 profissionais de Recursos Humanos aponta que 60% das companhias já utilizam inteligência artificial em suas rotinas. O levantamento demonstra que a tecnologia se consolida tanto em iniciativas pontuais quanto em estratégias estruturadas de capacitação contínua.
Entre as ferramentas mais adotadas, o ChatGPT desponta na liderança com 255 menções entre os gestores entrevistados pelo estudo. Em seguida aparecem o Gemini, desenvolvido pelo Google, com 207 indicações, e o Copilot, da Microsoft, somando 145 menções. As aplicações corporativas mais recorrentes envolvem a elaboração de conteúdos didáticos, o diagnóstico de competências, a personalização de trilhas de aprendizagem e a mensuração de indicadores.
O levantamento também revelou que empresas médias, com equipes entre 51 e mil colaboradores, representam mais da metade do público participante. Esse recorte confirma que a inovação em Treinamento e Desenvolvimento deixou de ser exclusividade de grandes corporações com orçamentos vultosos. Além disso, o nível médio de familiaridade declarado com essas ferramentas alcançou a nota 7,25 em uma escala de zero a dez.

Por que a inteligência artificial generativa se expandiu tão rápido no RH?
A rápida disseminação do ChatGPT no ambiente de trabalho decorre principalmente de sua ampla acessibilidade operacional e ausência de barreiras de entrada. Enquanto soluções corporativas convencionais exigem integrações técnicas e contratos extensos, plataformas conversacionais oferecem respostas imediatas para demandas cotidianas de criação textual. Esse dinamismo permitiu que analistas e coordenadores adotassem a tecnologia diretamente na estruturação de materiais de suporte educacional.
Outro aspecto decisivo foi a chegada pioneira da tecnologia ao cotidiano pessoal dos próprios colaboradores. “O ChatGPT chegou primeiro ao consumidor, à pessoa física”, explica Jackson Rovina, CEO da Twygo. Segundo o executivo, os indivíduos começaram a usar a ferramenta antes das corporações e acabaram levando esse hábito de forma orgânica para dentro das organizações.
Essa incorporação espontânea criou um cenário desafiador para os departamentos responsáveis por governança corporativa e conformidade. Muitas companhias precisaram formular regras de conduta depois que a tecnologia já estava amplamente instalada na rotina dos colaboradores. O desafio atual reside em canalizar essa agilidade individual para modelos de gestão consistentes, alinhados aos valores e objetivos estratégicos do negócio.
Quais cuidados garantem a segurança de dados e a qualidade pedagógica?
O receio em relação à privacidade e integridade das informações desponta como o terceiro maior entrave à modernização tecnológica nas empresas. Processar informações sensíveis em ambientes sem contrato corporativo expõe a instituição a penalidades severas decorrentes da LGPD. Versões gratuitas não oferecem acordos formais de custódia e tratamento de dados, diferentemente dos planos dedicados a empresas.
Por essa razão, especialistas recomendam que nenhum dado pessoal ou avaliação individual de desempenho seja inserido em plataformas desprovidas de salvaguardas contratuais. Estabelecer uma política interna de governança define quais sistemas são homologados, esclarecendo os limites éticos para uso de cada equipe. A clareza regulatória proporciona segurança jurídica e protege o patrimônio informacional corporativo contra vazamentos indevidos.
A qualificação das equipes na formulação de prompts assertivos é essencial para extrair o real potencial dessas ferramentas digitais. Paralelamente, todo material pedagógico formulado de maneira automatizada requer criteriosa revisão e validação crítica por especialistas humanos. Dessa forma, a aplicação de IA no treinamento corporativo conjuga agilidade operacional, mitigação de vieses e consolidação de uma cultura de aprendizagem ética.

