O ingresso de talentos recém-formados no mercado de trabalho corporativo enfrenta novos obstáculos com as equipes distribuídas. Construir relacionamentos consistentes e absorver conhecimentos práticos tornou-se uma jornada complexa à distância. Diante dessa realidade, o desenvolvimento de jovens profissionais exige formatos que valorizem a convivência humana cotidiana. A presença física no ambiente de trabalho ressurge como peça fundamental para apoiar quem inicia sua trajetória corporativa.
O distanciamento prolongado tem provocado impactos diretos na abertura de oportunidades para iniciantes. Segundo levantamento publicado pela London School of Economics, empresas totalmente remotas reduziram contratações de entrada em 14% desde 2019. O recuo expressivo reflete a dificuldade das lideranças em acompanhar, aculturar e treinar profissionais em início de carreira. Sem trocas espontâneas, os processos formativos tornam-se distantes e fragmentados.
Por que a distância física afeta a formação das novas gerações?
Na visão da WeWork, esse cenário reforça a urgência de espaços flexíveis que incentivem o contato diário. O contato próximo acelera a circulação de saberes e estreita laços interpessoais essenciais para o crescimento na empresa. O aprendizado informal que ocorre fora das reuniões virtuais planejadas faz falta para quem busca referências técnicas.
Para Claudio Hidalgo, presidente regional para a América Latina da WeWork, “a entrada no mercado de trabalho sempre foi marcada por aprendizados que acontecem além das atividades formais”. O executivo pontua a importância da vivência relacional. “Conversas informais, contato com profissionais mais experientes e a construção de relacionamentos constroem qualquer carreira”, diz. Para ele, o grande desafio é garantir essa aproximação sem renunciar à flexibilidade.
Quais são os maiores ganhos da convivência presencial segundo a pesquisa?
A importância da convivência física fica evidente no levantamento A Experiência de Trabalho 2026 no Brasil, conduzido pela WeWork em parceria com a Offerwise, ouvindo 2.500 trabalhadores, com 32% pertencentes à Geração Z.
O relatório identificou três benefícios centrais apontados pelos profissionais no ambiente presencial:
Integração entre equipes: citada por 55% dos entrevistados como o motor da inovação e do alinhamento cultural contínuo;
Relações interpessoais: valorizada por 49% dos respondentes como pilar decisivo para expandir o networking profissional;
Comunicação mais ágil: destacada por 44% como fator direto de aprendizado prático para quem busca evolução na carreira.

De que forma o escritório se transforma em espaço estratégico de aprendizado?
Nesse novo cenário, o escritório deixa de ser apenas uma estação física para execução rotineira de tarefas operacionais. O espaço corporativo assume o papel estratégico de impulsionar a colaboração coletiva e fortalecer a cultura organizacional. Esse movimento torna-se ainda mais decisivo para os profissionais que iniciaram suas carreiras durante ou logo após a pandemia.
Hidalgo afirma que “o desenvolvimento profissional acontece também nas interações do dia a dia. Estar em um ambiente no qual diferentes empresas convivem cria oportunidades para ampliar repertório e desenvolver habilidades de comunicação”, completa o executivo. Dessa forma, as organizações transformam o modelo presencial em uma alavanca indispensável para a retenção, promovendo uma gestão de pessoas humanizada e inspiradora.




