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Qualidade de vida supera salário na carreira brasileira

Equilíbrio pessoal é prioridade para 47,4% dos profissionais

Atualizado em 04/03/2026 às 12:03, por Vanderlei Abreu.

Tendências de carreira 2030 Serasa Experian

Para o profissional brasileiro em 2026, o planejamento de carreira não está mais restrito a cargos ou pacotes de remuneração. De acordo com a pesquisa “Tendências em Carreiras”, realizada pela Serasa Experian com mais de 3,8 mil respondentes, 47,4% dos entrevistados apontam a qualidade de vida e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional como os fatores prioritários para o futuro. Esse dado indica uma mudança estrutural na relação com o trabalho, refletindo a busca por uma jornada que respeite os limites individuais e a saúde integral.

A relevância do equilíbrio supera critérios que historicamente dominavam as discussões de RH. O desejo por propósito e impacto social aparece com 16,3%, seguido por oportunidades de crescimento rápido (15%) e estabilidade (11,6%). Surpreendentemente, a remuneração e os benefícios competitivos foram citados por apenas 9,7% como o fator principal ao pensar nos próximos passos até 2030. Esse cenário sugere que o salário, embora essencial, deixou de ser o único — ou o maior — motivador para a retenção de talentos qualificados.

Fernanda Guglielmi, gerente de Recursos Humanos, Diversidade e Inclusão da Serasa Experian, destaca que o respeito às dimensões humanas é o novo requisito para a gestão de talentos. De acordo com a executiva, “o profissional brasileiro quer se sentir respeitado em todas as dimensões: tempo, saúde e reconhecimento. Não se trata apenas de onde se trabalha, mas de como e com quem. Esse cenário traz uma oportunidade para que as empresas revisem e atualizem seus modelos de gestão”.

Como será a “empresa do futuro”?

As expectativas sobre o mercado de trabalho nos próximos anos estão intrinsecamente ligadas à flexibilidade. Para 37,3% dos respondentes, a possibilidade de atuar nos modelos híbrido ou remoto será o principal impacto em suas trajetórias profissionais até 2030. Essa visão define o que o mercado convencionou chamar de "empresa do futuro": 38% dos brasileiros consideram o trabalho flexível um atributo essencial, acompanhado por programas estruturados de desenvolvimento de carreira (33,5%) e lideranças acessíveis (25,5%).

Além da flexibilidade geográfica, o avanço tecnológico e a necessidade de requalificação técnica emergem como pilares críticos. O estudo aponta que o aprendizado contínuo (29,7%) e o impacto da automação e da inteligência artificial (24,4%) são tendências que moldarão as carreiras nos próximos cinco anos. A saúde mental também ganha protagonismo, sendo mencionada por 18% dos profissionais como um fator de influência direta em suas decisões de permanência ou troca de emprego.

A transformação digital já é uma realidade consolidada na rotina produtiva: 77% dos entrevistados afirmam que seu dia a dia foi totalmente transformado por sistemas online, aplicativos e IA. Esse alto índice de digitalização reforça a necessidade de que as empresas ofereçam suporte tecnológico que facilite, e não que sobrecarregue, a jornada do colaborador. O desafio para o RH é integrar essas ferramentas de modo que a produtividade não ocorra em detrimento do bem-estar emocional das equipes.

Qual o perfil da força de trabalho atual?

A pesquisa “Tendências em Carreiras” foi realizada em dezembro de 2025 e reflete a visão de uma amostra composta majoritariamente por analistas e estudantes. Os setores de Operações e Vendas foram os que mais contribuíram com dados, oferecendo um panorama realista das áreas que mais sentem as pressões por eficiência e resultados. A predominância de profissionais com formação superior ou em curso indica que o desejo por qualidade de vida é uma pauta transversal e qualificada no mercado nacional.

A metodologia da Serasa Experian evidencia que a busca por equilíbrio não é um fenômeno isolado, mas uma demanda que exige respostas concretas das estratégias de Employer Branding. Organizações que ignorarem a necessidade de flexibilidade e desenvolvimento humano tendem a enfrentar maiores dificuldades na atração de talentos em um cenário de alta competitividade digital. A clareza sobre os novos motivadores é o que permitirá a criação de políticas de RH mais resilientes e alinhadas às expectativas sociais de 2026.

Em última análise, o futuro da carreira no Brasil caminha para uma simbiose entre tecnologia e humanização. A capacidade de uma organização em oferecer um ambiente seguro, flexível e propício ao aprendizado contínuo será o grande diferencial competitivo. O dado de que 47,4% priorizam o equilíbrio confirma que a produtividade sustentável depende, obrigatoriamente, da preservação do capital humano em todas as suas dimensões.