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Diversidade e inclusão

Etarismo corporativo: 70% das empresas enfrentam barreiras de idade

Estudo da ABQV com 110 companhias mostra que a longevidade corporativa ainda carece de preparo das lideranças e políticas estruturadas

diversidade etária nas organizações
Levantamento da ABQV aponta que 70% das empresas ainda enfrentam barreiras relacionadas à idade. (imagem gerada por IA)

O envelhecimento acelerado da população brasileira transforma a dinâmica das organizações e coloca a longevidade no centro dos debates contemporâneos sobre gestão de pessoas. Uma pesquisa inédita da Associação Brasileira de Qualidade de Vida revela que 70% das empresas identificam barreiras relacionadas à idade em suas rotinas internas. O levantamento ouviu 110 organizações que somam mais de 530 mil colaboradores em diferentes regiões do país. Para 20% dos participantes, a idade representa um obstáculo direto nos processos seletivos, promoções e oportunidades de desenvolvimento profissional. Outras 50% das corporações reconhecem que o preconceito etário se manifesta de forma evidente em áreas ou situações específicas da rotina corporativa.

Esse cenário evidencia que a convivência multigeracional ainda enfrenta barreiras culturais profundas no mercado corporativo brasileiro. Especialistas apontam que a permanência prolongada de profissionais experientes na ativa exige transformações estruturais urgentes nas políticas de Recursos Humanos. “Essa realidade ainda não se converteu plenamente em políticas organizacionais estruturadas”, alerta Luiza Cruz, psicóloga e Diretora da ABQV. Quase 40% das entidades pesquisadas admitem que o tema da longevidade sequer começou a ser debatido internamente pelas lideranças. Apenas 7,3% das companhias afirmam que a gestão da diversidade etária já está integrada ao planejamento estratégico dos negócios.

Quais são as principais barreiras para os profissionas seniores?

A carência de conhecimento sobre o tema desponta como o principal obstáculo corporativo, apontada por 44,5% dos respondentes do estudo. A baixa priorização pela alta administração e a escassez de indicadores confiáveis também impedem avanços consistentes nessa agenda essencial. Além disso, preconceitos velados e resistência cultural travam a valorização de profissionais com 60 anos ou mais nos escritórios. Atualmente, 40,9% das organizações concentram seus esforços apenas em ações básicas de saúde preventiva e qualidade de vida. Programas focados em diversidade etária ou preparação para a aposentadoria aparecem em apenas 20,9% das empresas avaliadas.

O levantamento demonstra uma lacuna expressiva entre iniciativas pontuais de bem-estar físico e políticas estruturadas de retenção de talentos maduros. Somente 18,2% das corporações mantêm programas específicos para contratação e desenvolvimento contínuo de colaboradores seniores. Práticas de mentoria intergeracional e transferência de conhecimento estratégico são adotadas por apenas 15,5% dos ambientes corporativos. “Existe diferença entre promover saúde e criar políticas amplas de carreira e valorização dos profissionais maduros”, pontua Luiza. Sem diretrizes consistentes de permanência, o mercado corporativo desperdiça uma bagagem técnica valiosa acumulada ao longo de décadas de trabalho.

Como preparar as lideranças?

A capacitação dos gestores surge como um desafio imediato para assegurar harmonia entre equipes formadas por profissionais de diferentes idades. O estudo revela que 34,5% das organizações não oferecem qualquer tipo de preparação para suas lideranças sobre diversidade geracional. Outras 21,8% mantêm apenas conversas informais sobre o tema, sem estruturar treinamentos sistemáticos contra estereótipos no ambiente corporativo. A ausência de letramento etário dificulta o diálogo cotidiano e compromete o engajamento saudável de equipes multigeracionais. Desenvolver competências empáticas nos líderes é fundamental para combater o etarismo e sustentar um clima organizacional produtivo e acolhedor.

Apesar das dificuldades mapeadas, as companhias brasileiras demonstram interesse genuíno em acelerar essa pauta nos próximos dois anos. Mais de 30% das corporações pretendem investir em programas de capacitação, retenção de talentos maduros e enfrentamento do preconceito. Os debates aprofundados sobre longevidade e trabalho foram apresentados no 24º Congresso Brasileiro de Qualidade de Vida, em São Paulo. O encontro da ABQV reuniu especialistas entre 29 de setembro e 1º de outubro para discutir os novos rumos do setor.

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