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Disputa por talentos redesenha mapa da migração

Relatório da Fragomen aponta América Latina e Oriente Médio como novos hubs estratégicos

Atualizado em 13/03/2026 às 14:03, por Vanderlei Abreu.

Tendências Migratórias Fragomen 2026

Relatório Global de Tendências Migratórias da Fragomen revela que altos custos e escassez estão remodelando fluxos migratórios e criando novos pólos de atração de talentos em mercados emergentes como o Brasil (imagem gerada por inteligência artificial)

A geopolítica, a escassez de talentos e os altos custos de mobilidade estão reformulando os fluxos migratórios corporativos ao redor do mundo. Em 2026, a mobilidade internacional tornou-se um elemento central das estratégias de negócio, com os casos motivados por crises (como guerras e pandemias) quase dobrando entre 2022 e 2025. Ao mesmo tempo, 74% dos empregadores globais relatam dificuldade para encontrar profissionais qualificados, o dobro do registrado há uma década, e a economia global enfrenta um déficit projetado de 85 milhões de trabalhadores até 2030, o que pode representar US$ 8,5 trilhões em receita anual não realizada.

Esse cenário de escassez é acompanhado por um aumento expressivo na complexidade e nos custos da mobilidade, desestimulando a entrada de trabalhadores estrangeiros em mercados tradicionais. No Reino Unido, o salário mínimo para o visto de profissional qualificado subiu quase 50% em comparação a 2023, enquanto nos EUA, novas taxas governamentais podem adicionar US$ 100 mil a muitos pedidos de visto H-1B. Países que tratam suas políticas como ferramentas econômicas têm obtido mais sucesso na atração de mentes brilhantes. O Canadá estruturou trilhas rápidas para profissionais STEM, conectando educação e imigração, enquanto a Alemanha adota ações para recrutar profissionais brasileiros para suprir a escassez no setor de saúde.

Diana Quintas, sócia da Fragomen no Brasil, explica que as empresas estão priorizando estadias internacionais mais curtas e pontuais para seus colaboradores, em vez de expatriações tradicionais, que exigem pacotes mais robustos, benefícios adicionais e o acompanhamento de familiares. A especialista destaca o impacto financeiro estimado em US$ 20 milhões em 2024 somente entre os clientes corporativos da multinacional, reforçando a urgência da mudança. “A mobilidade internacional se tornou um vetor estratégico e não mais apenas uma demanda operacional. As empresas que conseguirem alinhar suas estratégias migratórias com seus objetivos de negócios terão vantagem competitiva nos próximos anos”.

Onde estão os novos hubs globais de talento?

De acordo com o Relatório Global de Tendências Migratórias 2026 da Fragomen, regiões como a América Latina e o Oriente Médio estão emergindo como novos polos estratégicos de atração de talentos, inovação e investimento. Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Catar vêm adotando políticas migratórias mais flexíveis e programas agressivos para captar mão de obra especializada. Os Emirados Árabes, por exemplo, oferecem o Golden Visa, que permite residência de longo prazo para empreendedores e investidores em setores como tecnologia, saúde e educação.

Essa nova geografia do talento também é impulsionada pela burocracia excessiva e o endurecimento das exigências legais para imigração em algumas jurisdições ocidentais, o que ajuda a explicar o avanço de políticas de preferência a trabalhadores locais nesses mercados tradicionais. Na Ásia, a Coreia do Sul lançou o K-Tech Pass para profissionais de inteligência artificial e semicondutores. Na Índia, o programa OCI incentiva o retorno de profissionais qualificados ao país, enquanto o Vietnã adota políticas que equilibram agilidade e conformidade para criar ambientes favoráveis para empresas de base tecnológica.

No Brasil, iniciativas como o visto para nômades digitais e vistos técnicos simplificados fazem o país começar a recuperar protagonismo como destino de profissionais estrangeiros. O número de vistos de trabalho cresceu 28% em 2025, alcançando mais de 60 mil autorizações, o maior volume desde 2015. Diana afirma que “após décadas com saldo migratório negativo, o País registra crescimento na atração de profissionais em setores como óleo e gás, halide, papel, automobilístico e infraestrutura. Iniciativas como a força-tarefa do Ministério da Justiça e a retomada do turismo internacional colocam o país em posição estratégica no cenário global”.


Destaques do Relatório Fragomen 2026:

IndicadorDado (2026)Observação
Déficit global de trabalhadores (2030)85 milhõesUS$ 8,5 tri em receita anual não realizada.
Dificuldade de recrutamento (Empregadores)74%Dobro do registrado há uma década.
Custo de realocação (Único colaborador)US$ 77 milInclui educação e moradia; pode passar de US$ 300 mil a longo prazo.
Vistos de trabalho no Brasil (2025)> 60 milCrescimento de 28% (maior volume desde 2015).
Índice de Mobilidade de Talentos (Média global)44 pontosAumento de barreiras à contratação de estrangeiros.